Direito à Diferença

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Proteger a floresta!

 

Proteger a floresta

A minha geração tem um desafio muito importante! Está nas nossas mãos proteger a natureza! Para isso nós vamos ajudar os animais, limpar o lixo das praias e das florestas e das ruas.


Vamos preservar a natureza, aprender a reciclar.

A natureza está a morrer, sem ninguém para proteger.

A terra está a ser destruída, um dia nada vai restar!

Alguma coisa tem que ser feita, para salvar o nosso mundo!

Vamos ter que cortar no que desperdiçamos, seguindo a regra dos três “R” (reduzir, reutilizar e reciclar). Só assim contribuímos para conservar os recursos naturais e diminuir o lixo nos aterros. É importante também reduzir o consumo, nomeadamente de produtos de uso único: devemos reutilizar os produtos dando-lhes uma nova vida útil, que pode ser completamente diferente do seu uso original; reciclar, para o que já não pode ser reutilizado seja transformado em novos produtos ou materiais. Só assim estamos a contribuir para o Planeta a sobreviver!



Uma aluna do 8º ano,

2/2/2023

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Os professores são os pedreiros do mundo

No meu primeiro dia de aulas fui para a escola a pé, de mão dada com a minha mãe, e profundamente orgulhosa da mochila que levava às costas e que tinha quase metade do meu tamanho. A minha mãe nunca se queixou, mas imagino que os seus ouvidos devam ter sangrado com a força da minha tagarelice que, durante o percurso, esteve para lá de incontrolável. Tudo o que eu queria era chegar ao edifício antigo e de tectos muito altos onde, diziam-me em casa, iria aprender a ler, a escrever e a perceber o mundo.

A escola cheirava a madeira. E uma senhora muito baixinha, toda vestida de preto e dona de uns olhos tão azuis como o céu, veio receber-nos. Era a menina Marcelina, que, mal sabia eu, se tornaria uma das grandes referências da minha infância. A menina Marcelina, que estava bem mais próxima da velhice do que da infância, tinha a importante missão de tocar o sino que indicava o início e o fim do recreio, ajudava-nos a abrir os pacotes de leite que bebíamos ao intervalo, mediava todos os conflitos entre alunos e, mais importante do que tudo isso, era a única pessoa no mundo que estava autorizada a arrancar-me os dentes que abanavam.

Lá em casa, bem tentavam convencer-me de que também sabiam arrancar dentes sem fazer doer, mas eu sabia que ninguém se podia equiparar à menina Marcelina, que, com a ajuda de papel higiénico, arrancava dezenas de dentes por ano. Lembro-me até de um dia em que eu e um colega chamado Fernando, com dentes já mais soltos do que presos, fomos pedir à menina Marcelina para nos libertar daquela moléstia, mas não nos conseguimos entender sobre qual dos dois seria o primeiro. E foi então que a menina Marcelina mostrou todo o seu talento e, com uma mão em cada boca, resolveu a questão com um profundo equilíbrio. Um, dois, três e a dupla de dentes cá para fora ao mesmo tempo.

Há uns anos, trabalhava eu na cardiologia, e os olhos muito azuis que tão bem conhecia da escola primária olharam-me do interior de uma maca. Era a primeira vez que a via sem ser de preto, uma vez que já lhe tinham vestido um pijama do hospital. Mas percebi o momento exacto em que ela me reconheceu porque sorriu. E eu soube que ia ficar tudo bem porque, e escusam de me tentar convencer do contrário, a menina Marcelina da minha meninice é imortal.

Mas voltando à escola, lembro-me de repetir a sensação de orgulho, a ansiedade e a tagarelice quando passei para o quinto ano. Uma escola nova, enorme e já sem o ar salazarista da anterior. Um horário cheio de disciplinas, salas que mudavam a cada hora e muitos professores diferentes. Parecia que tinha entrado noutro mundo e, confesso, senti muitas vezes saudades do toque do sino porque, na escola nova, a campainha era mais estridente e muito menos amigável. Não foi fácil habituar-me às novas rotinas, confesso. Mas hoje guardo com carinho tudo o que ali vivi durante cinco anos.

O professor Mourato, de História e Geografia de Portugal, uma espécie de sumidade na escola e na comunidade, fazia-nos levantar e dizer “bom dia, senhor professor” de cada vez que entrava na sala. Nas aulas dele o silêncio era sepulcral, mas não pensem que o fazíamos por medo. A verdade é que não existia um único aluno que não gostasse daquele homem enorme, que ensinava como ninguém. A professora Leonor, de Matemática, grávida de um menino que, disse-nos um dia, se ia chamar Tomás Maria. E o bilhete que a Antónia me mandou a dizer “coitadinho do bebé”. A professora Fátima Rainho que tinha uma caneta vermelha onde encaixava o giz e que fazia um barulho delicioso a escrever no quadro. Um dia, em que a minha mãe me obrigou a vestir um vestido que eu não queria, a professora Fátima chamou-me ao quadro e disse “hoje estás muito bonita”. E de repente eu já não queria despir aquele vestido nunca mais.

Os anos foram passando e eu conseguia dizer-vos o nome de todos os professores que passaram pelas minhas turmas. Do professor Dario, meu primeiro professor de Português, até à professora Adélia, a última. E o nome das auxiliares também. Da dona Ludovina do bar à dona Fernanda da biblioteca. Aquelas pessoas que a escola me deu, todas elas, fizeram parte da minha vida e ajudaram-me a estar aqui hoje.

Há uns meses reencontrei uma professora que me dizia que quando tinha visto um texto meu no manual dos atuais alunos dela tinha ficado cheia de vaidade. Acrescentou com um sorriso que era como se, no fundo, aquele texto também fosse um bocadinho dela. E a verdade é essa mesma. Não há uma palavra que eu escreva que não pertença a quem me ensinou as primeiras letras, os primeiros ditongos, os primeiros verbos. Não há uma palavra que eu escreva que não pertença aos professores que me acompanharam ao longo do caminho.

A escola é muito mais do que um edifício ou do que um lugar onde as crianças aprendem a ler e a escrever. A escola são pessoas que ajudam a construir outras pessoas. E poucas missões são tão nobres como essa. Sempre tive a sensação de que foi a escola que, devagarinho e com cuidado, pousou o mundo nas minhas mãos.

É assustador pensar num mundo sem educação. Uma sociedade não educada transforma-se num bando de mosquitos suicidas que, sem questionar, segue apenas a luz mais brilhante. Uma sociedade sem educação é pouco mais do que um rebanho que precisa de um pastor para a guiar. Sem educação deixamos de questionar, perdemos a capacidade de interpretar, aceitamos tudo o que nos dão, despidos do sentido crítico que nos permite evoluir.

Nos últimos tempos, os professores saíram à rua. Na minha antiga escola há dezenas de T-shirts penduradas nos muros frontais, cada uma delas pertencente a um professor do agrupamento. E quando paramos uns minutos para falar com eles percebemos o cansaço, o desânimo e a burocracia que os esmaga. E eles são as escolas.

Não quero analisar aqui a forma como foi organizada a greve, não me interessa tecer juízos sobre sindicatos e muito menos tenho vontade de me imiscuir em lutas políticas. Mas não consigo deixar de escrever estas palavras que, espero, todos os professores sintam como uma carta de amor.

Não acredito num país que não respeita os que preparam as futuras gerações. Não acredito num país que destrata os que tomaram o ensino como missão. Não acredito num país que não percebe que quando desacredita um professor está a desacreditar a escola inteira.

Os meus professores e as minhas auxiliares foram a minha escola. Muito mais do que os edifícios. Foram eles que me trouxeram até aqui. E hoje sinto que devo, pela primeira vez, inverter os papéis. Agora é a minha vez de lhes estender a mão, de lhes agradecer e de dizer que não os esqueço.

Na luta por manter viva a escola, eu estarei sempre do lado dos que, todos os dias, trabalham para a manter de pé. Que ninguém se iluda: os professores são os pedreiros do mundo.

Carmen Garcia (in Jornal Público)

INVERNO

 


Velho, velho, velho
Chegou o Inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,

O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:

Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:

Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.

Eugénio de Andrade (1923 –2005)  in Aquela nuvem e outras  (fonte)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Ian uma história de inclusão

Educação Inclusiva: Estratégias lúdico - pedagógicas

No dia 6 de dezembro ocorreu no auditório do nosso Agrupamento uma ação de formação de curta duração "Educação Inclusiva: Estratégias lúdico - pedagógicas", com a duração de 3h (17h30 às 20h30), com a formadora Aurélie Pinto.

Esta formação realizou-se no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e contou com a participação docentes do nosso Agrupamento.








segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Regresso às aulas de Natação!!

E lá regressamos nós às aulas de Natação. O nosso obrigado à Fundação Centro Social de S. Pedro de Rates pela parceria nesta atividade.


E assim se pinta a nossa sala de cores de outono!

 Outono


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

                                  Miguel Torga